segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

resumo livro - período interbíblico


Parte um
O fundo cultural e literário
Os escritos sagrados
O Cânon Hebraico
            De acordo com os costumes judaicos, as escrituras hebraicas são divididas em três grupos conhecidos como Torah (lei), Nebi`im (Profetas – anteriores e posteriores) e Kethubim (escritos). Esses livros que fazem parte dessas divisões são considerados inspirados e sagrados e que possuí a autoridade canônica. Nem todos os livros das escrituras sagradas eram considerados de igual autoridade; esses livros eram classificados em três níveis como eu citei acima.
            O judaísmo que gradualmente se desenvolveu atribui a maior importância possível à revelação da Thorah dada por Deus a Moisés no Sinai, e considerou a história subsequente como de menor importância; dessa maneira a Thorah recebeu um lugar de suprema autoridade escriturística dentro da igreja judaica. Por muito tempo a controvérsia a respeito do número de livros continuou. Muitas opiniões continuaram divididas e a questão do canôn era ainda um ponto de debate no segundo e terceiro século d.C. não há data definida, de quando foi concluída a coleção dos livros chamados canônicos. Mas pela contribuição, popularidade e uso nos cultos da sinagoga, a revelação divina foi sendo gradualmente estabelecidas dentro das sagradas escrituras.
A tradição oral
Sua origem e desenvolvimento
            A origem do processo de interpretação está fundamentada no soferismo que procura levar as pessoas aplicá-las em os ensinamentos contido na lei para sua vida contidiana. Esdras é um exemplo disso. Esdras é descrito como um escriba versado na lei de Moisés que havia disposto o coração para buscar a lei do Senhor e para cumpri-la. Ele não apenas lia no Livro, na lei de Deus, como também dava “explicações, de maneira que se entendesse o que se lia. Isso é exatamente o que o soferismo também buscava fazer. Eles se propuseram à tarefa de não apenas fazer da Torah uma possessão do povo, mas também de descobrir e interpretar seu significado de modo que os homens pudessem aplicá-la a sua vida cotidiana. Para eles, a Torah era muito mais que a sobrevivência de um passado glorioso com um valor apenas arcaico; era um profeta pela qual a palavra de Deus podia ser transmitida de geração a geração. Sua palavra não era estática, mas dinâmica, capaz de novas interpretações para cada era subsequente e capaz de aplicação renovada para cada aspecto da vida humana. Os costumes e tradições, principalmente de natureza religiosa, que haviam surgido no decurso dos anos, passaram a ser aceitos como autoridade na prática do judaísmo, muito embora não houvesse nenhuma justificação para tal na Torah. No devido tempo, surgiu a pergunta concernente à relação entre a autoridade da tradição e a autoridade da Torah escrita. Estava claro que não poderia haver duas autoridades independentes. E assim surgiu a importantíssima crença de que a Torah era mais do que simplesmente a palavra escrita das Escrituras, mas incluía também a tradição que havia sido passada de geração a geração. A Torah era dividida em escrita e oraL e cada uma delas tinha igual autoridade. E não apenas isso; Os fariseus eram firmes defensores da autoridade da tradição oral ao que os saduceus eram amargamente contrários. Estes, por sua vez, embora tivessem suas próprias ordenanças a respeito das questões dos sacrifícios e outros rituais, consideravam a Torah escrita como a única autoridade. Os perigos do desenvolvimento Torah não-escrita são óbvios, especialmente quando ela se dissociou do texto da Torah escrita e não mais requeria base justificativa nas Escrituras. Livrou o judaísmo daquele estado moribundo que deveria ter sido seu destino, se a nação tivesse seguido a orientação dos conservadores saduceus. Por meio da Torah não-escrita, a religião e a vida, o trabalho e a adoração, foram integrados de um modo que seria antes impossível, e Deus e seus mandamentos foram apresentados como reais na vida comum das pessoas comuns.
Sua forma e conteúdo
            As tradições orais permaneceram ao longo período de todo período interbíblico, e são divididos em duas classes: o midrash e o mishnah. O Midrash era o interesse dos rabinos antes da destruição do segundo Templo, e depois dessa data tornou-se sua maior preocupação. A função, apresentação e ampliação da tradição oral eram as principais características de seus estudos. Sua tarefa então, como sempre, era de estudar a Torah escrita e sua tradição oral e transmiti-las aos outros. Esse Midrash era dividido em duas seções. Primeiro, havia o Halakah (do hebraicohalak, caminhar) que consistia de regulamentos relativos às questões da lei civil e religiosa. Ele mostrava o caminho pelo qual o homem deveria caminhar. Era uma exegese das leis bíblicas, a partir da qual poderiam ser formulados regulamentos autorizados para a vida das pessoas. E este Halakah que forma a tradição oral do Judaísmo. Segundo, havia o Haggadah que significa repetir. E aquela parte da literatura rabínica que não é o Halakah, isto é, tudo que não se refere a qualquer ponto da lei. E um desenvolvimento, por assim dizer, das histórias bíblicas em vez da lei bíblica. Essa parte contém muitas lendas e miscelâneas do folclore israelita. Mas juntamente com esses relatos, há um considerável volume de material ético e religioso. O Haggadah se refere frequentemente ao discurso dos pregadores nas sinagogas e dos mestres nas escolas e muitas vezes os menciona pelo nome. Esse material era de grande valor, mas não tinha a mesma autoridade do Midrash Halakah no judaísmo. E o mishnah é uma segunda fonte rabínica. Ela tem sido classificada como sistemática das discussões e decisões dos rabinos durante a interpretação e expansão da torah. Depois da Bíblia, o Mishnah é a base da literatura judaica até nossos dias e é o fundamento do Talmude. Com os escritos do Mishnah, os judeus se estabeleceram como o povo do Livro.
Os livros não incluídos
A literatura não-canônica
Os livros que foram escritos durante o período interbíblico oferecem  uma interessante visão da história dos judeus e da religião do judaísmo formada nas escolas rabínicas. O nome dado a esses livros significava que não pertenciam ao canôn das escrituras reconhecidas.
            Quatro critérios eram observados em determinar a aceitação ou a rejeição de qualquer livro que estava em circulação nesse período:
1. A visão de que as profecias cessaram em Israel após Daniel no período persa e que, portanto, todos os livros escritos após esse tempo não devem ser considerados. 2. A congruência do conteúdo de qualquer livro com a Torah. 3. Uma certa auto-consistência entre os livros referidos. 4. O caráter hebraico original de qualquer livro. Esses fatores explicam a inclusão de Daniel no Cânon e a exclusão de livros tais como o Eclesiástico, Judite, Salmos de Salomão e I e II Macabeus. Os livros excluídos tinha sua relevância, pois enfatizava ao ensino concernente à iminente volta de Cristo.
O meio ambiente dos apocalípticos
A literatura não-canônica, apocalíptica ou não, confirma que, durante o período interbíblico,o Judaísmo era um sistema complexo, que abrangia muitas seitas, partidos e classes, pois a própria literatura desvenda muitas visões diferentes, interesses e crenças que nem sempre podem ser identificadas com qualquer um dos partidos reconhecidos dentro do Judaísmo. A existência de escritores tais como os dos livros apócrifos tendem mais à complexidade do que à simplicidade nas atividades literárias da época. Também, a presença de muitos elementos no Judaísmo contemporâneo, de modo algum implica que havia interação íntima e influência mútua entre eles.


O fundo cultural e literário

Judaísmo versus helenismo

Surgimento e expansão do helenismo

Os gregos e os Romanos

Os judeus sentiram grande impacto da cultura helenistica sobre seu estilo de vida e principalmente sobre sua religião. Eles ficaram especialmente vulneráveis à influência do helenismo por intermédio dos negócios e das trocas comerciais. A política de Alexandre e de seus sucessores era enviar seus agentes gregos no rastro de seus exércitos e plantá-los como comerciantes nas terras conquistadas. Nessas terras, viviam muitos judeus que haviam sido exilados da Palestina muitos anos antes, e outros que, até mesmo antes do tempo de Alexandre, haviam emigrado e se instalado em cidades gregas no extremo oeste. Onde quer que os judeus estivessem, sob o governo dos Selêucidas ou dos Ptolomeus, eles haviam desfrutado por muito tempo das bênçãos da liberdade religiosa sob uma política de tolerância religiosa que, sem dúvida, os deixaria abertos à influência sutil da cultura helenística. Os romanos, por sua vez, continuaram a estimular o desenvolvimento dessa cultura, especialmente nas províncias orientais, e buscaram por esses meios realizar os sonhos de Alexandre, o Grande. Nesse sentido, não houve um verdadeiro rompimento entre o regime grego e o romano, ou, realmente, entre os anos antes de Cristo e os anos depois de Cristo. A cultura e a civilização helenísticas foram características de todo o período greco-romano.

A septuaginta e a literatura Helenística

A tradução do Pentateuco aconteceu, durante o reinado de Ptolomeu II, com o nome "Septuaginta" sendo estendido por todas as partes dos escristos bíblicosa. Na Carta de Aristéia, que mais tarde acompanhou a Bíblia grega, diz a lenda que a Septuaginta foi o resultado de uma ordem real de Ptolomeu II, do Egito, que teria delegado a tarefa da tradução a 72 "anciões". Esses homens levaram a cabo a obra de tradução em ambientes separados e produziram resultados precisos. Porém, a Septuaginta tenha vindo a existir como um Targum, assim como na Palestina passou a existir um Targum para ajudar aqueles que não conseguiam entender as Escrituras hebraicas. A Septuaginta trouxe influência sobre os judeus da Dispersão e mesmo sobre a jovem Igreja Cristã.
Em Alexandria, também, foram escritos muitos livros gentílicos e enviados para muitas partes do mundo onde, sem dúvida, foram estudados pelos mais instruídos dentre os judeus. Esses livros continham acusações difamadoras contra a raça e a religião judaica que eram normalmente considerados supersticiosos e ateístas. Os judeus, por sua vez, não tentavam disfarçar, em seus próprios escritos, o absoluto desprezo que tinham pelos pagãos. toda a literatura judaico-helenística, tinha como alvo a condenação da idolatria, e a defesa do Judaísmo contra as intromissões de tal influência pagã. Muito dessa literatura é conhecida por nós apenas por fragmentos ou em referências em outras obras, mas esses escritos que sobrevi­veram mostram muito claramente o pensamento grego e judeu que predominava no começo da era cristã.
Havia muitos oráculos em diferentes países, e no Egito, em particular, eles passaram a gozar de um crescente interesse e significado. Os judeus de Alexandria viam nesse tipo de literatura um excelente meio de propaganda. Por meio de alte­rações e acréscimos discretos, eles usaram a estrutura dos oráculos pagãos para propagar a fé no único Deus vivo e verdadeiro. Um bom exemplo de Judaísmo helenístico pode ser encontrado no escritor judeu alexandrino Philo, que foi contemporâneo de Jesus e de Paulo. Ele era bem versado não apenas nas Escrituras em hebraico, como nos escritos judaico-helenistas, e também em filosofia grega. O objetivo de seus escritos era demonstrar a relação entre a religião das Escrituras e a verdade das filosofias gregas. Ele fez uso livre da alegoria, prática comum em Alexandria, e através dela demonstrou, por exemplo, que Moisés estava em consonância com os filósofos gregos. A posição de Philo não era aceita pelo Judaísmo ortodoxo de seus dias, mas sua abordagem da religião e da filosofia, e a relação entre elas, teve uma influência considerável no desenvolvimento da teologia cristã nos anos que se seguiram.




A cultura Grega na Palestina

            muita das cidades da Palestina foram conquistadas pelo estilo de vida grego e algumas novas cidades foram construídas em estilo grego. Essas comunidades, trouxeram para os judeus uma perspectiva mental completamente nova, visão da cultura e civilização helenística, muito do que, para o judeu fiel, parecia ser prejudicial e até mesmo subversivo à fé de Israel. Mesmo em Jerusalém e seus arredores havia muitos que adotaram o estilo de vida grego desde o início do período da supremacia ptolomaica, e muitos mais sucumbiram sob a propaganda concentrada dos Selêucidas.
O livro de Macabeus lança luz sobre a situação daquele tempo: "Nesta época saíram também de Israel uns filhos perversos que seduziram a muitos outros dizendo: Vamos e façamos alianças com as nações circunvizinhas, porque desde que nós nos separamos deles, caímos em infortúnios sem conta. Semelhante linguagem pareceu-lhes boa, e houve entre eles quem se apressasse a ir ter com o rei, que concedeu a licença de adotarem os costumes pagãos. Edificaram em Jerusalém um ginásio como os gentios, dissimularam os sinais da circuncisão, afastaram-se da aliança com Deus, para se unir aos estrangeiros e se escravizar ao pecado" (1 Mac 1.12-15). Os Gregos expressavam suas tendências fundamentais — sua inclinação para a beleza harmoniosa da forma, o prazer do corpo, a franqueza imperturbável com respeito ao mundo natural. A ênfase grega na beleza, forma e movimento iriam abrir o horizonte estético, desconhecido até então para muitos judeus. Os ritos religiosos judaicos que pareciam inestéticos para os gregos, passaram a ser negligenciados por certos judeus. Os atletas judeus, que iam normalmente correr nus na pista, passaram a ser incircuncidados por meio de uma leve operação cirúrgica para evitar o escárnio da multidão. Os jogos e corridas no estádio eram marcas distintas das cidades helenizadas e eram populares entre os jovens judeus. O teatro também desempenhou um papel importante na disseminação da cultura grega, e alguns judeus escreveram tragédias em versos gregos. Os ritos e as cerimônias religiosas tinham uma influência sobre a população judia e corrompiam as mentes dos jovens, com medidas de imoralidade e vícios.

A influência religiosa do helenismo

O Helenismo era um sistema sincretista, sob cuja superfície o pensamento e as crenças de muitas antigas religiões orientais continuaram a exercer uma forte influência. Por meio do helenismo sírio, o impacto dessa cultura seria sentido pelos judeus na Palestina. muitos dos judeus tinham contato direto com o pensamento e a cultura perso-babilônica porque, desde o tempo do Cativeiro, eles tinham vivido lado a lado com persas na Mesopotâmia. De vez em quando esses judeus babilônicos voltavam à Palestina, trazendo consigo uma avaliação simpatizante de alguns aspectos do pensamento persa, particularmente aqueles que não eram necessariamente incompatíveis com sua própria religião hebraica.
A influência da cultura perso-babilônica é amplamente ilustrada nos escritos dos judeus apocalípticos desse período e nas obras do judaísmo farisaico. O Zoroastrismo é evidente em questões tais como a separação da alma do corpo no momento da morte, o destino dos mortos no lapso de tempo entre a morte e a ressurreição, a doutrina da ressurreição e o ensino relativo ao Juízo Final. Outro campo no qual se percebeu profundamente essa influência, é na doutrina difundida sobre anjos e demônios, na qual se acredita na personalização de espíritos maus para os quais não há paralelo no pensamento do Antigo Testamento. As antigas tradições religiosas e místicas do Egito e da Babilônia entraram em contato com a nova ciência e cultura gregas, produzindo um sistema de pensamento muito mais abstrato em forma do que o ramo sírio de helenismo. Muitos judeus, especialmente os da Dispersão, foram grandemente influenciados pelo tipo filosófico de religião que acompanhava essa forma particular da cultura grega. A maioria dos livros de caráter apocalíptico dos judeus expressa a crença em uma ressurreição da morte na qual a alma ou o espírito é reunido ao corpo, mas em alguns deles a influência do pensamento platônico é nova­mente evidente em passagens que expressam a crença na imortalidade da alma. No primeiro livro de Enoque de 164 a.C, o escritor refuta a visão dos saduceus de que não há nenhuma diferença entre a sorte dos justos e a dos ímpios após a morte e afirma que toda bondade e alegria e glória estão preparadas para as almas dos justos. Eles vão viver e se regozijar e seus espíritos jamais perecerão. Todas as influências do helenismo no Judaísmo durante esse período estão explicitos; mas em relação as suas doutrinas fundamentais, o Judaísmo permaneceram fieis à fé de seus pais e preparou o caminho não apenas para sua própria sobrevivência, mas também para o nascimento da religião cristã.

A reação contra o Helenismo

O Partido Helenista em Jerusalém

No período de Antíoco IV foi marcado por amarga rivalidade entre duas grandes famílias, a Casa de Tobias e a Casa de Onias, que foram os grandes influenciadores do curso de eventos que ocorreram nos anos futuros. O historiador Josefo conta que o Sumo Sacerdote Onias II, um grande amante do dinheiro", recusou-se a pagar o imposto anual de 20 talentos a Ptolomeu IV, depois que José, filho de Tobias, havia sido indicado coletor de impostos de todo o país. José e sua familia tornaram-se ricos e ganharam uma posição de poder conside­rável perante a nação. E com isso, as duas familias rivais estavam representadas nos dois ofícios mais elevados do Estado. No tempo de Antíoco, o Grande, o controle da Palestina passou dos Ptolomeus para os Selêucidas e em seguida José e seus seguidores transferiram sua submissão àquele monarca, cujo governo estava terrivelmente dependente de dinheiro. homens em jerusalém estavam prontos a levantar dinheiro em troca de posições de poder.
As duas familias rivais chegou a um ponto crítico no reinado de Antíoco IV que sucedeu a seu irmão Seleuco. Os helenistas em Jerusalém que eram abertamente favoráveis à Síria, viram na ascensão de Antíoco uma oportunidade para atingir seus objetivos. Os judeus ortodoxos, e em particular os Hasidim ou os Piedosos, ficaram furiosos com esses acontecimentos e com a expansão da influência helenística em geral. Para eles, a indicação de um Sumo Sacerdote era um ato de Deus, que nada tinha a ver com a aprovação ou desapro­vação de um rei gentio. O único consolo era que o novo Sumo Sacerdote, Jason, pelo menos era membro do partido ortodoxo. Porém, tal situação seria logo alterada, porque a essa altura, um Menelau, que não era membro da família do Sumo Sacerdote, expulsou Jason do ofício com a ajuda de Tobias e a oferta ao rei de um suborno maior que o oferecido por seu rival. Os seguidores de Menelau apoiavam abertamente o estilo de vida grego e se colocaram contra o partido ortodoxo. As duas facções do povo aumentou e a luta irrompeu em Jerusalém entre os partidos helenista e ortodoxo. Encorajados por um rumor de que Antíoco havia morrido em uma campanha no Egito. Jason se apressou rumo a Jerusalém e expulsou Menelau. O confli­to que se seguiria não era simplesmente uma questão de judeus contra sírios, mas de judeus contra judeus; porque, em oposi­ção ao partido helenista em Jerusalém, a vasta maioria dos judeus nos arredores do país estava alinhada em oposição a qualquer política de helenização.

A vingança de Antíoco

Antíoco estava decidido a implantar a cultura e a religião helenísta na Palestina. Mesmo sendo apoiado pelos helenistas em jerusalém, mas sua política de helenização era violentamente contrária à maioria das pessoas que, além disso, recusavam-se a reconhecer Menelau como Sumo Sacerdote. Assim, Antíoco determinou exterminar completamente a reli­gião judaica. Optou por destruir as próprias caracterís­ticas distintivas da fé judaica. Todos os sacrifícios dos judeus foram proibidos; o rito da circuncisão teve que cessar, o Sábado e os dias de festas não podiam mais ser observa­dos. A desobediência a qualquer desses mandamentos acarreta­ria a pena de morte. Além disso, os livros da Torah foram desfigurados ou destruídos; os judeus, forçados a comer carne de porco e a oferecer sacrifícios em altares idólatras erigidos por todo o país. Para coroar suas ações de infâ­mia, Antíoco erigiu um altar a Zeus do Olimpo com uma ima­gem do deus sobre o altar de ofertas queimadas no interior do átrio do Templo. Esses eventos foram seguidos de severa perseguição na qual muitos foram condenados à morte. Muitos abandonaram as cidades, pois eram perseguidos pelos agentes do governo. A intenção de Antíoco era destruir a fé judaica.

Os Macabeus e a revolta dos Macabeus

A revolta dos Macabeus foi iniciada por Matatias, que fugindo das atrocidades praticadas em Jerusalém por conta da nova ordem imposta por Antíoco, veio a habitar com seus cinco filhos na cidade de Modein, onde alcançaram grande respeito por parte de muito judeus zelosos. Certo dia apareceu em Modein um oficial do rei a ordenar que se oferecessem sacrifícios no altar conforme o novo costume imposto por Antíoco. Matatias se recusou a fazê-lo e matou um dos judeus que ali sacrificava, bem como o oficial do rei, vindo assim a se refugiar com seus familiares nas montanhas. Juntou-se pouco tempo depois a este pequeno grupo familiar, alguns judeus que igualmente fiéis à sua religião, decidiram combater Antíoco; muitos outros grupos foram se juntando a este núcleo, de tal forma que se constituiu um pequeno e valente exército disposto a combater os pagãos. Cerca de um ano depois de iniciada a revolta Matatias veio a falecer, vindo a ocupar seu lugar na liderança do grupo seu filho Judas, de apelido Macabeu, cujo significado é “martelo”, de onde vem o nome revolta dos Macabeus. Judas Macabeu era um general competente, havendo derrotado sucessivas vezes exércitos imensamente mais numerosos e mais preparados no sentido militar. Depois de sucessivas vitórias sobre o exército de Antíoco, Judas logrou reconquistar Jerusalém. Ocupou-se então de restaurar e purificar o Templo, vindo a consagrá-lo novamente ao serviço religioso judaico, exatamente três anos após Antíoco o haver violado. A celebração deste evento marca a origem da Festa das Luzes celebrada pelos judeus. Após seis anos de consecutivas vitórias sobre os selêucidas, Judas Macabeu veio a falecer, sendo então substituído por seu irmão Jônatas. Ele liderou o povo, sendo seguido depois de sua morte por seu irmão Simão que governou o povo, encerrando assim o período dos irmãos Macabeus.
A casa de Hasmoneu
João Hircano, filho de Simão Macabeu, sucedeu seu pai como líder e sumo-sacerdote, governando os judeus. Teve um princípio de governo tumultuado. Quando Antíoco faleceu, Hircano atacou algumas cidades controladas pelos selêucidas, entre as quais Siquém, a então capital da Samaria, vindo a destruir o Templo contruído por autorização de Alexrandre, o Grande. Todos os povos dominados por Hircano tiveram que se submeter às leis judaicas e adotar sua religião, obrigando todos os homens à circuncidarem. Hircano renovou a aliança estabelecida por Judas Macabeu com os romanos, mesmo sem ter qualquer garantia de proteção de Roma que naquele momento passava por momentos de tribulação política. Hircano foi sucedido por seu filho mais velho, Aristóbulo I, que veio a ser o primeiro dos hasmoneus a requerer para si o título de rei. Já no tempo de Alexandre se toma conhecimento da existência dos partidos dos fariseus. É interessante notar que quanto mais poder acumulam os hasmoneus, mais se distanciam do povo e dos ideais que nortearam os destinos dos primitivos Macabeus. A história dos Hasmoneus chegou ao fim por causa de um Antipater, governador da Iduméia, que encorajou Hircano, no exílio, a remover seu irmão do ofício. Com ajuda de um governador árabe, Aretas III, ele atacou Aristóbulo em Jerusalém. Foi nesse momento que Roma decidiu interferir nas questões da Palestina. Pompeu enviou seu general, Scaurus, para sufocar o levante e ele, mediante suborno, apoiou Aristóbulo. No ano de 63 a.C, o próprio Pompeu, temendo os desígnios de Aristóbulo, atacou Jerusalém e a conquistou, entrando pessoalmente no Templo e no Santo dos Santos. Aristóbulo foi levado cativo para Roma. Hircano foi confir­mado no Sumo Sacerdócio e designado etnarca da Judéia, então acrescentada à província da Síria.
Herodes e os Romanos
            A política de helenização que Herodes empreendeu era devida, pelo menos em parte, à própria natureza de seu reino, que abrangia muitas cidades gregas e incluía inúmeros gregos entre os cidadãos. Ele fez pouco uso do Sinédrio judeu e em seu lugar estabeleceu um conselho real nos moldes helenísticos; substituiu a antiga aristocracia hereditária por uma nova aristocracia de serviço e elevou essa nova classe de acordo com as práticas helenísticas. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. Ele elimina, através de assassinatos, seus adversários, inclusive alguns membros de sua família. Consolidado o poder, constrói obras grandiosas na Judéia. Templos, teatros, hipódromos, ginásios, termas, cidades, fortalezas, fontes. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. Valorizando o culto, Herodes Magno ganha para si o povo. Construindo fortalezas, controla possíveis revoltas. Matando seus inimigos, seleciona seus herdeiros. Apoiando a cultura helenística, aparece diante do mundo. Servindo fielmente a Roma, conserva-se no poder. Entretanto, Herodes não tem legitimidade judaica, pois descende de idumeus. Assim, por ser estrangeiro, não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido. Por isso, Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: nomeia o sumo sacerdote do Templo, destituindo os Asmoneus e nomeando um sacerdote da família sacerdotal babilônica e, mais tarde, da alexandrina; exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas patriarcais e se a pessoa recusar o juramento seria perseguido.
Enfim a batalha entre o judaísmo e o helenismo havia termi­nado e por todas as aparências a batalha fora perdida. Mas, assim como o helenismo não se pôde resistir apenas pela força, assim também o judaísmo não pôde ser extinto pelo poder das armas. O Estado judeu caiu, mas o judaísmo prevaleceu, porque quando a conquista foi negada e o acordo proibido, ao contrário do cristianismo, que se expandiu para o mundo helenístico para "pensar melhor, viver melhor e morrer melhor" os pagãos, o judaísmo escolheu para si o caminho da separação. Esse passo significativo foi dado por Jonatas ben Zakkai que, enquanto a batalha assolava a vida de Jerusalém, pouco antes de sua queda, partiu para a cidade de Jamina no litoral da Palestina e fundou uma escola que iria marcar o início de uma nova era para o povo judeu. Eles já não tinham Jerusalém; eles já não tinham o Templo; mas lá em Jamina eles tinham o estudo da sagrada Lei de Deus, e isso para eles era mais do que a própria vida. Por ela seus pais haviam lutado e morrido; por ela seus filhos iriam viver.



O povo do livro
A religião da Torah
            A palavra Torah é amplo para indicar a revelação divina, escrita e oral baseados na qual os judeus possuíam o padrão e a norma singulares de sua religião. A palavra significa "instrução" ou "ensino" e indica a revelação dada por Deus a Israel por meio de seu servo Moisés. A palavra é traduzida como Lei, mas isso pode trazer um equívoco, porque seu significado está mais próximo de revelação do que de legislação. Mas, uma vez que essa revelação encontra expressão escrita no Pentateuco, o nome Torah é aplicado comumente aos cinco livros que Moisés escreveu. Em todo o periodo de antíoco o judaímo estava arraigada  e fundamentada na Torah. Ou seja, ela se tornou o simbolo da fé dos judeus.

Do templo à Torah

O papel exercido pelo ensino oral dos escribas foi muito significante no preparo das pessoas para os anos atribulados que se seguiriam, nos quais a influência da cultura helenística começou a se fazer sentir muito. Havia escribas que organizavam reuniões semanais não só em Jerusalém, mas nas cidades e aldeias próximas, nas quais liam a Torah publicamente e explicavam seus ensinamentos; por um lado eles prepararam o caminho para aqueles ofícios, e aos escribas e seus sucessores é atribuído muito do crédito pelo desenvolvimento dessa instituição vital para o judaísmo. Na morte de Simão, o Justo, cerca de 270 a.C, a influência dos escribas ou soferins declinou, mas há evidência de que após essa data um conjunto de homens, principalmente leigos, continuou a aplicar-se reservadamente ao estudo da Torah. Mais tarde tornou-se a ser conhecida como Sinédrio, um tribunal composto de membros sacerdotes e leigos que se dedicava à regulamentação das questões religiosas. Assim, muito tempo antes da Revolta dos Macabeus, as pessoas comuns haviam sido instruídas na fé e haviam apren­dido a aplicar a religião à vida cotidiana na nova situação e condições que se formavam na Palestina. A Torah passou a ser o centro da atenção, ocupando um lugar cada vez mais significativo na vida devocional de muitos que, por causa das dificuldades daqueles tempos ou por causa da dispersão, longe de Jerusalém, não podiam oferecer sacrifícios no Templo Sagrado.
Diz os estudiosos que ouve uma troca de valores na metade do século IV a.C. e a Revolta dos Macabeus em 167 a.C, ocorreu uma transferência sutil de ênfase, do Templo para a Torah, o que ainda seria de grande importância para a sobrevivência do judaísmo. Mas foi na era dos macabeus que essa mudança foi mais notável, porque nessa época a Torah havia se tornado o símbolo visível da fé judaica. O triunfo da Revolta dos Macabeus e o desenvolvimento das sinagogas e das escolas, tanto em Jerusalém como na Dispersão, aumentou ainda mais a reputação da Torah. A Torah da Sinagoga não estava, em nenhum sentido, em oposição ao ritual do Templo, mas nutriu uma religião pessoal profunda algo que os ritos do Templo não eram capazes de fazer. E assim, chegou um momento em que o registro escrito pôde tomar o lugar dos atos litúrgicos nos afetos do povo. Isso explica por que, apesar da destruição do Templo em 70 d.C, o Judaísmo conseguiu sobreviver. O ritual do Templo havia sido substituído pela reverência para com a Torah; o sacerdote havia sido substituído pelo rabino; o Templo fora suplementado pela sinagoga. Depois disso, o judaísmo passou a ser, essencialmente, a religião do livro.

O ponto de levante da revolta
           
A Torah foi o principio de nacionalismo judaico, tanto no período dos Selêucidas como no dos romanos: em cada um ela tornou-se o ponto de levante da revolta. Por exemplo, no tempo de Antíoco TV, desafiou o poder dos sírios em Modein, ele clamou em alta voz ao povo: "Quem for fiel à lei e permanecer firme na Aliança, saia e siga-me" (I Macabeus 2.27). Um apelo ao Templo teria reunido uma parte do povo; mas um apelo à Torah tinha mais chance de reunir todo o povo; e, mesmo que nem todos respondessem, todos estavam envolvidos, porque toda a nação reverenciava a Torah como revelação e vontade declarada de Deus. Os inimigos dos judeus foram rápidos em reconhecer a confiança que devotavam à Torah e o entusiasmo com que se levantavam em sua defesa. E assim a Torah tornou-se o foco do ataque contra o judaísmo. Atacar a Torah significava atacar o próprio judaísmo; defender a Torah era defender a fé de seus pais.
A Revolta dos Macabeus foi uma convocação para se levantar em defesa da Torah que era, para os judeus, a própria incorporação da religião deles. O desafio do helenismo não era simplesmente uma questão de política ou estética ou moral ou cultura; era um golpe desferido contra as próprias raízes da fé judaica, que era fundamentada na Torah sagrada, e a ele se deveria resistir com todas as forças. A Revolta dos Macabeus, embora alcançasse uma grande vitória, não resolveu a questão de uma vez por todas. A nação judaica ainda estava rodeada pela cultura helenística e devia, de alguma forma, estabelecer suas relações com seu ambiente. Durante o tempo dos Hasmoneus, em particular o desenvolvimento das sinagogas e das escolas, em ambas as quais o ensino era ministrado com base na Torah sagrada, ajudou grandemente a impedir a infiltração do helenismo na vida da nação. Mas com o advento de Roma, influências helenistas começaram a se firmar novamente de formas mais declaradas e tiveram que ser rechaçadas. A batalha teve que ser enfrentada por toda parte novamente, e mais uma vez a Torah foi o ponto de encontro da revolta.
Tanto no caso dos Selêucidas como no caso dos roma­nos, os inimigos dos judeus foram rápidos em identificar o centro da lealdade deles, e então ataques e mais ataques eram lançados contra a Torah.

A santa aliança
           
os judeus demonstravam pela Torah não somente zelo por um Livro, mas pela Aliança feita por Deus na qual ele havia separado a nação judaica para ser seu povo particular. Menosprezar a Torah era trair a Aliança que Deus havia feito com seus pais. Isso ajuda a explicar a lealdade fanática que muitos judeus demonstravam para com os ritos de sua fé ao longo daqueles dias difíceis. Por exemplo, A circuncisão, um sinal de que um homem era um membro da Aliança, e quem nega-se sujeitar-se à circuncisão era negar comple­tamente a Aliança. Comer carne de porco era fazer o que a Torah proibia, e assim a isso se devia resistir sob a penalidade de morte. O Sábado sagrado era uma marca da Aliança que o Helenismo procurou profanar; os judeus observavam isso tão rigorosamente, que muitos deles preferiam a morte a levantar os braços, mesmo para se defender, no dia do Sábad. A Torah era inflexível em sua proibição de idolatria de qualquer tipo ou forma; daí o ódio amargo dos judeus por qualquer coisa que lembrasse o culto ao Imperador; daí também sua violenta oposição àquelas construções em estilo grego, decoradas com figuras idólatras de arrimais e homens; até mesmo os troféus que adornavam os teatros eram olhados por muitos como imagens, e então, eram anátema para os judeus, que adoravam um "Deus ciumento" que não toleraria nenhum rival ao seu trono.

A Torah e as seitas
           
O Judaísmo tinha dentro de si mesmo muitos partidos, grupos e seitas diferentes, cujas as crenças nem sempre ficaram registrados na história. Josefo declara que os judeus tiveram, por um grande período de tempo, três seitas de filosofia - os Fariseus, os Saduceus e os Essênios, aos quais ele acrescenta o partido dos Zelotes. Esses partidos foram muito influentes dentro do Judaísmo durante esse período. Calcula-se que Fariseus, Saduceus e Essênios juntos somariam apenas trinta mil - trinta e cinco mil de um total de quinhentos mil - seiscentos mil no tempo de Jesus. Os Fariseus somariam aproximadamente cinco por cento da população total e os Saduceus e os Essênios juntos, aproximadamente dois por cento.

Os fariseus

Os fariseus já existiam no tempo de Jonatas, Eles exerceram uma grande influência por um período de cerca de três séculos e fizeram mais do que qualquer outro partido para determinar a forma de Judaísmo nos anos seguintes. Sua ascendência espiritual pode ser traçada até os Hasidim que, ao apoiarem os Macabeus, haviam dado sanção religiosa à proposta de liberdade destes. Eles não constituíam um partido político, mas essencialmente uma seita religiosa, originados em grande parte da classe média da sociedade, que gradativamente passou a ocupar uma forte posição religiosa e social na comunidade. Em todo esse período, eles se levantaram como um guardião contra a invasão do helenismo, demonstrando serem os defensores valentes da religião da Torah. Eles faziam da Torah que os distinguiam da maioria de seus oponentes, ou seja, os saduceus. Os fariseus criam que a lei oral devia ser considerada como de igual autoridade que a Torah escrita, mas os saduceus consideravam a autoridade sagrada da Torah escrita como comple­tamente acima e separada das novas tradições e observâncias.
O principal instrumento para propagação da Torah era a sinagoga que se tornou uma instituição mais poderosa dentro de Judaísmo, não apenas em Jerusalém mas também por todas as regiões da Dispersão. A leitura da Torah acompanhada de uma tradução interpretativa no vernáculo tornou-se uma característica distintiva dos ofícios das sinagogas.
O farisaísmo tinha um caráter legalista, e que o legalismo pode facilmente conduzir ao formalismo, e o formalismo ao externalismo e à irrealidade, defeitos que se revelaram no decurso do tempo em pelo menos algumas fases do farisaísmo. Mas, apesar disso, os fariseus criaram um espírito de verdadeira piedade e devoção que afetou profundamente as vidas das pessoas, e desenvolve­ram uma vida devotada à Torah.

Os saduceus

Os fariseu pertenciam à classe média, e os saduceus eram representados pela rica aristocracia e particularmente pelo poderoso sacerdócio em Jerusalém. A maioria deles eram sacerdotes. Muitos deles eram comerciantes ricos, funcionários do governo e outros patamares de grau elevado. Os fariseus, acreditavam na supremacia da Torah, mas ao contrário dos fariseus; os saduceus se recusavam a reconhecer a autoridade vinculante da lei oral. Eles tinham suas próprias tradições e costumes e seus próprios rituais e leis.
Para os fariseus a Torah era o centro de sua fé, para os saduceus era a circunferência dentro da qual podiam ser nutridas convicções e práticas estranhas ao judaísmo. Daí a habilidade deles para inserir dentro de seu sistema muitas influências helenísticas que eram odiosas a seus companheiros judeus.

Os Essênios

Essênio deriva de uma pala­vra aramaica que significa "santo" ou "piedoso". O historiador romano Plínio fala sobre um povo com esse nome que formava uma comunidade asceta firmemente unida, que vivia perto da costa ocidental do Mar Morto. Josefo e Philo oferecem informações adicionais de que havia cerca de quatro mil essênios que, em sua maior parte, vivia em aldeias, embora alguns deles vivessem em cidades. Esses últimos eram, sem dúvida, considerados por seus irmãos como membros associados da comunidade que vivia em regiões desérticas, sob uma disciplina mais rígida. Eles se dedicavam muito tempo ao estudo e interpretação da Torah e de outros livros sagrados. Josefo nos fala que eles estudavam intensivamente as Escrituras e indica que certo número deles era capaz de predizer o futuro através da leitura dos livros sagrados. A Torah escrita e seu estudo formavam a base da vida comum deles e era a inspiração de seu movimento. Em sua perspectiva religiosa, eles tinham muito em comum com os fariseus, mas em alguns aspectos, pelo menos, pareciam ser bem mais rígidos do que aqueles na interpretação da Torah.

Os zelotes

Os zelotes são os herdeiros dos Macabeus. Eles são descritos por Josefo como bandidos e ladrões. os zelotes eram uma companhia de patriotas judeus motivados por profundas convicções religiosas. E Josefo descreve os sucessivos líderes do movimento dos zelotes pela palavra "sofista", que bem pode indicar que dentro do partido havia um programa planejado de ensino que ia além do interesse meramente político que Josefo insinua. A oposição dos essênios em Roma estava arraigada em seu zelo para com a Torah. Foi esse zelo que gerou seu patriotismo e fanatismo, o que fez que passassem a ser temidos tanto pelos amigos como pelos inimigos. Josefo continua dizendo que eles tinham "uma fixação inviolável pela liberdade"; eles se recusavam a chamar qualquer homem de "senhor" ou pagar tributo a qualquer rei, pois Deus era seu único Rei e Senhor; desprezavam a dor e davam pouca importância à morte; nem sequer o sofrimento de parentes e amigos os demovia de seu propósito. Por trás de tudo isso estava sua devoção apaixonada pela Torah, pela qual eles estavam dispostos não apenas a lutar, mas quando chamados, até mesmo a sacrificar suas vidas.

Os pactuantes de Qumran

Houve muitas opiniões e controversias a respeito à descoberta desses rolos do Mar Morto em relação à identidade da comunidade de Qumran. Alguns estudiosos têm argumentado a favor de uma data pré-macabeus, e outros por uma identificação com os zelotes no primeiro século d.C.. Nesse mesmo período há evidências de uma grande comunidade de essênios e uma comunidade igualmente grande de Pactuantes, ambas vivendo ao redor do Vádi Qumran, e a indicação é de que eles provavelmente formavam uma única comunidade. Essa convicção é fortalecida por uma comparação dos costumes, ritos e crenças dessas duas seitas que indica que eles pertenciam ao mesmo tipo geral. Como os essênios, os pactuantes tinham muito em comum com os fariseus, mas eram mais rígidos do que eles na interpretação da Torah, como, por exemplo, na observância do dia do Sábado. Eles acreditavam que sua fidelidade como remanescente representativo de Israel, causaria uma expiação vicária para sua nação e ajudaria a anunciar a nova era de que os profetas haviam falado. Essa fidelidade encontrou sua expressão no estudo meticuloso e na prática da lei, e foi com esse propósito que eles foram os primeiros a se retirarem para o deserto da Judéia.
Na profecia de Habacuque, os pactuantes viam uma predição dos dias que eles mesmos estavam então vivendo. O fim estava próximo. O "mistério" (hebraico: raz cf. Dn 2.18, etc.) que foi transmitido por Deus a Habacuque, mas cujo significado foi dele escondido, recebeu sua interpretação (hebraico: pesher) pelo Mestre da Justiça, que demonstrou que a antiga profecia fora escrita com referência, não ao passado, mas às pessoas e aos acontecimentos de seus próprios dias. Entre os escritos encontrados no Qumran há um chamado A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas onde são descritos planos para a execução de uma Guerra Santa que conduziria ao tempo do fim. Parece certo que, na ocasião da guerra com Roma (66 d.C), segundo o espírito desse livro, os Pactuantes foram prontamente favoráveis aos zelotes e, como resultado, suas instalações em Qumran foram destruídas, como as evidências arqueológicas indicam, em 68 d.C. E se, como parece provável, eles devem ser identificados como um ramo dos essênios, isso explicaria o relato de Josefo, segundo o qual naquela época muitos dos essênios foram cruelmente torturados.
As seitas do judaísmo diferiam umas das outras em muitos aspectos; contudo, à exceção dos saduceus, elas eram unidas por uma única coisa em sua luta contra o inimigo comum; não era a devoção pelo partido nem mesmo pela pátria, mas pela Torah sagrada e pela santa Aliança do Senhor seu Deus.

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